A humanização dos pets é um dos principais fatores por trás do crescimento do mercado pet no Brasil. Cada vez mais tratados como filhos e membros da família, cães e gatos deixaram de ser apenas animais de companhia para se tornarem prioridade em muitos lares.
Este artigo reúne dados sobre esse fenômeno, explica como ele se conecta ao comportamento de compra dos tutores e mostra por que entender a humanização é essencial para quem atua no setor pet, de pet shops a clínicas veterinárias.
O que é humanização dos pets?
Humanização dos pets é o processo pelo qual tutores passam a tratar cães e gatos como membros da família, atribuindo a eles papéis emocionais semelhantes aos de um filho ou parceiro de convívio. Isso se reflete em decisões de consumo, rotina doméstica e até em escolhas de lazer, como viagens e passeios.
Esse fenômeno não é exclusivamente brasileiro, mas tem se intensificado no país nos últimos anos, acompanhando mudanças sociais como o adiamento da maternidade/paternidade e a busca por vínculos afetivos em um contexto de maior isolamento social.
Os números da humanização no Brasil
Diferentes pesquisas, em anos distintos, mostram a mesma tendência: o vínculo emocional entre tutores e pets vem se aprofundando.
SPC Brasil | 61% dos tutores consideram o pet parte da família | 2017
Radar Pet (Sindan/Comac) | 29% consideram o cão um membro da família (ante 25% em 2019); 25% consideram o gato (ante 21% em 2019) | 2023
Radar Pet (Sindan/Comac) | Mais de 37 milhões de domicílios brasileiros têm pet | 2023
Grupo Petz + IMO Insights (“Geração P”) | 88% consideram o pet um membro da família; 63% se autodenominam “pai/mãe de pet” | Pesquisa recente, sem data exata divulgada.
Por que os percentuais variam entre as pesquisas? Cada levantamento usa metodologia, amostra e pergunta diferentes, algumas pedem para o tutor se posicionar livremente, outras oferecem opções fechadas. Ainda assim, o padrão se repete: a maioria dos tutores brasileiros já enxerga o pet como parte da família, e essa proporção vem crescendo ano a ano.
Por que os tutores estão gastando mais com saúde e bem-estar?
A humanização não fica só no discurso, ela aparece diretamente no orçamento das famílias. Segundo levantamento do SPC Brasil, os cuidados com bem-estar do pet demandam, em média, R$ 189 por mês por tutor, valor que sobe para R$ 224 mensais entre consumidores das classes A e B. (Valores de 2017, sujeitos a atualização pela inflação nos anos seguintes).
Dentro desse orçamento, os itens mais citados pelos tutores, além de alimentação, foram:
– Tratamentos estéticos: 13%
– Passeadores de cachorro: 13%
– Tratamentos dentários: 9%
– Tratamento contra obesidade: 8%
– Acompanhamento comportamental: 8%
– Adestramento: 7%
– Creches para pets: 7%
Esse padrão de consumo, que vai muito além da alimentação básica, ajuda a explicar por que o setor de serviços veterinários foi o que mais cresceu no mercado pet brasileiro entre 2023 e 2024, com alta de 16%, segundo dados da Abinpet.
Perfis de tutores: nem todo “pet lover” consome do mesmo jeito
A pesquisa Radar Pet 2023, conduzida pela Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), identificou diferentes perfis de tutores no Brasil:
Pet Lovers Emocionais | 32% (maior grupo) | Consideram o pet um membro legítimo da família; dispostos a investir em cuidados de alta qualidade e produtos mais avançados.
Pet Lovers Racionais | 23% (segundo maior grupo) | Buscam equilíbrio entre razão e emoção nas decisões de consumo pet.
O que isso significa na prática?
O maior grupo de tutores brasileiros, quase 1 em cada 3, já toma decisões de compra guiadas primariamente pelo vínculo emocional com o pet, e não apenas pelo custo-benefício. Isso é relevante para qualquer negócio que atenda esse público: a decisão de compra nem sempre é puramente racional.
Como a humanização impacta o mercado pet como um todo?
A conexão entre humanização e números de mercado é direta:
- Crescimento sustentado do setor: o mercado pet brasileiro projeta faturamento de R$ 77,3 bilhões em 2025, com expectativa de superar R$ 80 bilhões em 2026, segundo Abinpet e Instituto Pet Brasil.
- Saúde e bem-estar ganhando espaço: produtos e serviços veterinários somados já representam cerca de 21% do faturamento do setor, um reflexo direto da priorização da saúde do pet pelos tutores.
- Presença do pet na maioria dos lares: com mais de 37 milhões de domicílios com pet no Brasil e média de 1,8 animal por residência, o mercado potencial para produtos e serviços de bem-estar é amplo e crescente.
- Impacto emocional mensurável: segundo a pesquisa “Geração P” (Grupo Petz/IMO Insights), 47% dos tutores afirmam que os pets ajudam a combater o estresse, e 36% dizem que colaboram no controle da ansiedade, o que reforça por que o vínculo é tratado como prioridade, e não como gasto supérfluo.
O que isso significa para quem atende o tutor de pet?
Para pet shops, clínicas veterinárias e demais negócios do setor, a humanização traz implicações práticas:
– Comunicação que reconhece o vínculo emocional, tende a repercutir melhor do que uma abordagem puramente funcional ou técnica.
– Serviços de bem-estar (estética, comportamento, saúde preventiva) têm espaço de crescimento comprovado, não apenas produtos básicos.
– Diferentes perfis de tutor exigem abordagens diferentes: um “Pet Lover Emocional” responde a argumentos diferentes de um “Pet Lover Racional”, por exemplo.
– Saúde preventiva deixou de ser diferencial e virou expectativa: com o crescimento de 16% nos serviços veterinários, atender bem essa demanda é cada vez mais central para o negócio.
Erros comuns ao interpretar a humanização dos pets
– Tratar humanização apenas como “moda” passageira: os dados de diferentes anos (2017, 2019, 2023) mostram uma tendência de crescimento consistente, não um pico isolado.
– Ignorar os diferentes perfis de tutor: nem todo tutor humanizado consome da mesma forma, confundir “Pet Lovers Emocionais” com “Pet Lovers Racionais” pode levar a comunicação e ofertas mal direcionadas.
– Achar que humanização é só sobre produtos de luxo: os dados mostram gasto relevante em itens como saúde bucal, comportamento e obesidade, áreas de cuidado, não apenas de consumo supérfluo.
– Desconsiderar o peso emocional na decisão de compra: como o vínculo com o pet é tratado como fonte de bem-estar emocional do próprio tutor (redução de estresse e ansiedade), decisões de compra tendem a ser menos sensíveis a preço nesse contexto.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é humanização dos pets?
É o processo pelo qual tutores passam a tratar cães e gatos como membros da família, atribuindo a eles papéis emocionais semelhantes aos de um filho. Esse comportamento influencia diretamente decisões de consumo, rotina doméstica e escolhas de lazer, como viagens e passeios que incluem o animal.
Quantos brasileiros consideram o pet um membro da família?
Os números variam conforme a pesquisa: o SPC Brasil (2017) apontou 61%, enquanto o Radar Pet 2023 (Sindan/Comac) identificou 29% para cães e 25% para gatos, com metodologia diferente. Já a pesquisa “Geração P”, do Grupo Petz com a IMO Insights, chegou a 88%. Apesar da variação, todas apontam uma maioria relevante de tutores com forte vínculo emocional.
Quanto os tutores gastam, em média, com bem-estar do pet?
Segundo o SPC Brasil, o gasto médio mensal com bem-estar do pet era de R$ 189 em 2017, chegando a R$ 224 entre consumidores das classes A e B. Esses valores tendem a estar defasados pela inflação, mas ilustram a proporção do investimento em cuidados além da alimentação básica.
Quantos domicílios no Brasil têm pet?
Segundo o Radar Pet 2023, mais de 37 milhões de domicílios brasileiros têm pelo menos um pet. Considerando dados da Abinpet em conjunto com o IBGE, a média é de 1,8 animal de estimação por residência no país.
O que são “Pet Lovers Emocionais” e “Pet Lovers Racionais”?
São dois dos perfis de tutores identificados pela pesquisa Radar Pet 2023 (Sindan/Comac). Os “Pet Lovers Emocionais” representam 32% dos tutores e consideram o pet um membro legítimo da família, investindo em cuidados de alta qualidade. Já os “Pet Lovers Racionais” (23%) buscam equilíbrio entre razão e emoção nas decisões de consumo.
A humanização dos pets impacta o crescimento do mercado pet?
Sim. O mercado pet brasileiro projeta faturamento de R$ 77,3 bilhões em 2025, e os segmentos de produtos e serviços veterinários — ligados diretamente à priorização da saúde do pet pelos tutores — já somam cerca de 21% do faturamento total do setor, segundo Abinpet e Instituto Pet Brasil.
Os pets ajudam na saúde emocional dos tutores?
Segundo a pesquisa “Geração P” (Grupo Petz/IMO Insights), 47% dos entrevistados afirmam que os pets ajudam no combate ao estresse, e 36% dizem que colaboram no controle da ansiedade e da depressão. Esse benefício percebido é um dos fatores que reforçam o vínculo emocional e o padrão de consumo humanizado.
Por que os serviços veterinários cresceram tanto nos últimos anos?
Os serviços veterinários registraram alta de 16% entre 2023 e 2024, o maior crescimento entre os segmentos do setor pet, segundo a Abinpet. Esse resultado está diretamente relacionado à humanização: tutores priorizam cada vez mais consultas, exames e cuidados preventivos, e não apenas tratamentos emergenciais.
A humanização dos pets é um fenômeno só do Brasil?
Não. O fenômeno é observado globalmente, mas se intensifica em diferentes países por motivos sociais semelhantes, como o adiamento da maternidade/paternidade e a busca por vínculos afetivos em contextos de maior isolamento social. Pesquisas internacionais mostram tendências parecidas às observadas no Brasil.
Como negócios do setor pet podem se adaptar à humanização?
Reconhecer o vínculo emocional na comunicação, investir em serviços de bem-estar (não apenas produtos básicos) e entender que diferentes perfis de tutor, como “emocionais” e “racionais”, respondem a abordagens distintas são pontos-chave. A demanda por saúde preventiva também deixou de ser diferencial para se tornar expectativa do tutor.
Resumo
– A humanização dos pets é o processo pelo qual tutores tratam cães e gatos como membros da família, com forte impacto emocional e financeiro.
– Pesquisas de diferentes anos (2017, 2019, 2023) mostram crescimento consistente do vínculo emocional entre tutores e pets no Brasil.
– O gasto médio mensal com bem-estar do pet já foi estimado em R$ 189 (podendo chegar a R$ 224 nas classes A e B), segundo o SPC Brasil.
– Mais de 37 milhões de domicílios brasileiros têm pet, segundo o Radar Pet 2023 (Sindan/Comac).
– Os “Pet Lovers Emocionais” são o maior perfil de tutor no Brasil (32%), à frente dos “Pet Lovers Racionais” (23%).
– A priorização da saúde do pet está ligada ao crescimento de 16% nos serviços veterinários entre 2023 e 2024, segundo a Abinpet.
– Pets também são associados a benefícios emocionais para os tutores, como redução de estresse e ansiedade, o que reforça o padrão de consumo humanizado.
Entender a humanização dos pets é entender por que o mercado pet segue crescendo, e por que saúde, bem-estar e cuidado preventivo se tornaram prioridade para os tutores.
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